Suplementação com biotina pode aumentar a produção de leite

Suplementação com biotina pode aumentar a produção de leite

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A biotina é uma vitamina do complexo B, sintetizada pelos micro organismos do rúmen. Algumas pesquisas já demonstraram que a síntese de biotina (in vitro) diminui quando a proporção de concentrado na dieta aumenta. Em função do aumento de produtividade do rebanho, ou então por deficiências na qualidade das forragens, é comum o fornecimento de altas quantidades de concentrado para vacas leiteiras. Isto deve aumentar a probabilidade de resposta à suplementação com biotina.

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A biotina está envolvida com o metabolismo energético. Ela é um cofator essencial ao funcionamento de várias enzimas. Alguns microorganismos que degradam celulose também requerem biotina. Experimentos já demonstraram que a digestão da celulose (in vitro) pode ser aumentada com suplementação de biotina ao meio de cultura.

Outro papel da biotina é na queratinização e diferenciação das células epidérmicas. Estas funções são críticas para a correta formação estrutural do casco. Diversos estudos têm demonstrado melhoria na saúde dos cascos com a suplementação desta vitamina.

Um experimento realizado na Universidade Estadual de Ohio (EUA), testou o efeito da suplementação de dois níveis diferentes de biotina em vacas em início de lactação. Foram utilizadas 45 vacas e o experimento teve início 14 dias antes da data prevista para o parto e continuou até 100 dias em lactação. Os tratamentos consistiram de um controle (sem biotina), um tratamento com 10 e outro com 20 mg de biotina suplementar por dia. As vacas foram ordenhadas duas vezes ao dia e alimentadas individualmente uma vez ao dia.

Os resultados são bastante interessantes. A suplementação com biotina não teve efeito na ingestão de matéria seca (IMS), mas a produção de leite aumentou linearmente (P<0,05) com a suplementação com biotina. O tratamento não teve efeito na produção de leite corrigida para energia. As porcentagens de gordura e proteína verdadeira, bem como a produção de gordura, não foram afetadas significativamente pelos tratamentos, mas a suplementação com biotina aumentou linearmente (P<0,03) a produção de proteína verdadeira (tabela 1).

Tabela 1- Efeito do fornecimento diário de biotina na produção dos primeiros 100 dias em lactação

Também não houve efeito da suplementação na condição corporal dos animais ou em seu peso vivo.

Da mesma forma, as concentrações de glicose, insulina e NEFA (ácidos graxos não esterificados) no plasma não foram alteradas. Também, as porcentagens molares de acetato (A), propionato (P), e butirato, além da relação A:P ruminal não foram estatisticamente diferentes entre os tratamentos. As concentrações de biotina no plasma nos dias 1, 30, 60, e 100 aumentaram linearmente (P<0,01) conforme a biotina da dieta aumentou.

Os autores argumentam que outros experimentos já demonstraram aumento na produção de leite com a suplementação de biotina e que as razões deste aumento ainda não são compreendidas. Existem algumas hipóteses, dentre elas a de que a melhor saúde dos cascos permitiria melhor locomoção dos animais que, como conseqüência, aumentariam o consumo de matéria seca. Outra hipótese seria de uma mudança na partição de nutrientes, deslocando-os para a produção de leite, ou ainda um aumento da produção de glicose e maior digestão da celulose.

Avaliando as hipóteses acima mencionadas, a falta de efeito na ingestão de matéria seca, e a imediata resposta em produção sugerem que a melhor saúde do casco não foi a razão principal para o aumento da produção neste experimento. A mobilização de gordura corporal poderia fornecer energia extra para a produção, mas não foram observadas mudanças na condição e peso corporal, bem como nos ácidos graxos do plasma sangüíneo, o que sugere que, neste experimento estas também não seriam explicações razoáveis para a resposta em produção. A biotina também não teve efeito nas porcentagens molares de ácidos graxos voláteis (AGVs) sugerindo que a população bacteriana do rúmen não diferiu entre os tratamentos. Não foi medida a produção total de AGVs, portanto, a falta de efeito nas porcentagens dos AGVs não prova definitivamente uma possível alteração na digestão da celulose pelos tratamentos.

Os autores concluem que houve um aumento linear de produção com a suplementação com biotina, porém as causas desta resposta precisam ser melhor investigadas.

Comentário do autor: a biotina parece estar mostrando grande potencial como aditivo em dietas de animais em início de lactação, com grande suplementação de concentrados na dieta. Nas condições deste experimento bastaria avaliar seu custo diário em relação à resposta em leite, já que não ocorreram quaisquer outros tipos de alterações (consumo, condição corporal, etc…). Se adicionarmos a isto uma possível melhor saúde dos cascos, seu uso pode ser bastante vantajoso. A dificuldade estaria em sua aplicação que teria que ser feita através de suplementos vitamínicos especiais incorporados à dieta. Também é importante que se entenda melhor seu modo de ação para que se possa avaliar sob quais condições seu emprego é interessante.

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